Abordagens policiais serão gravadas em Tubarão

24/11/2017

A PARTIR DESTA SEXTA-FEIRA, PARTE DAS ABORDAGENS REALIZADAS POR POLICIAIS MILITARES DE TUBARÃO, NO SUL DO ESTADO, SERÃO REGISTRADAS EM VÍDEO. O PROJETO PILOTO "CÂMERAS POLICIAIS INDIVIDUAIS / COPCAST" TERÁ CINCO EQUIPAMENTOS NA CIDADE, QUE SERÃO FIXADOS NA FARDA DO PM, NA ALTURA DO OMBRO. TODAS AS OCORRÊNCIAS SERÃO GRAVADAS E P MATERIAL SERÁ ANALISADO POR PESQUISADORES, QUE QUEREM DESCOBRIR SE O COMPORTAMENTO DOS ENVOLVIDOS NAS AÇÕES MUDA AO SABER QUE ESTÃO SENDO GRAVADOS.

Até janeiro do ano que vem, São José, Jaraguá do Sul, Florianópolis e Biguaçu também passam a contar com as câmeras corporais, com 127 aparelhos no total. Segundo o subcomandante geral da Polícia Militar de Santa Catarina, Carlos Alberto de Araújo Gomes Júnior, a estimativa é que com um investimento de R$ 6 milhões, todas as patrulhas possam ser equipadas com câmeras até 2019.

- Quando começamos a refletir sobre nosso trabalho percebemos que prendemos muito, mas nem sempre prendemos bem, nem sempre conseguimos jogar com a plenitude das regras do jogo para proporcionar a quem dá prosseguimento um conjunto probatório, a circunstância da prisão, a garantia de lisura dos atos, da maneira como as regras exigem - explica Araújo, sobre a importância de utilizar os vídeos como provas.

O policial começa a filmar a ação assim que é acionado pela central, ou quando encontra algum flagrante. As imagens não podem ser apagadas da câmera, e só podem ser baixadas em um servidor criptografado. A segurança desses registros é importante para que, se necessário, eles sejam usados como prova em algum inquérito. A gravação pode proteger policial e cidadão de acusações falsas, diminuir a resistência durante a abordagem e aumentar a transparência.

- É uma imagem que não vai ser divulgada por meio de comunicação, redes sociais, ela tem um fim específico para ser utilizado dentro de um processo criminal ou para respaldar e resguardar a atividade policial, então eu não vislumbro nenhum impedimento de se fazer esse trabalho com as câmeras e utilizar isso para garantir a atividade policial, e é mais um elemento de prova - comentou o promotor de Justiça da comarca de Tubarão, Osvaldo Cioffi Junior.

Cada câmera custa em média R$ 1,8 mil, e foi adquirida pelo Instituto Igarapé, que desenvolve tecnologias para melhorar a segurança pública e a relação entre polícia e comunidade. O material recolhido será analisado em três universidades parceiras, e do ponto de vista científicos, quer comparar como as pessoas reagem às abordagens. Para o policial, a câmera tem outros usos, como garantir a sua própria segurança.

- A pesquisa visa um grupo de policiais equipados com a câmera, ostensiva, informando que esta sendo gravada a abordagem, e as outras guarnições desprovidas dessas câmeras. Depois, são feitos comparativos, onde a câmera funcionou, onde não, sobretudo visando a investigação no comportamento humano, se o cidadão ao se deparar com um policial militar, ao saber que ele está gravando, se ela vai colaborar mais ou não - explicou o tenente-coronel Silvio Roberto Lisboa, comandante do 5º batalhão por onde se iniciam os testes.