Aluna da UFSC desenvolve roupas agênero, inteligentes e acessíveis

23/11/2017

Esta jaqueta tem dispositivos eletrônicos que auxiliam pessoas com deficiência visual na detecção de objetos
Foto: UFSC / Divulgaçã
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#INCLUSÃO

A ACADÊMICA FABIELI DIONES BREIER, DO CURSO DE ENGENHARIA TÊXTIL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA (UFSC), FOI CLASSIFICADA PARA PARTICIPAR DO DESFILE DO PRÊMIO BRASIL SUL DE MORA INCLUSIVA. ELA IRÁ APRESENTAR PEÇAS DE ROUPAS AGÊNERO, INTELIGENTES E ACESSÍVEIS. O EVENTO SERÁ REALIZADO NESTA QUINTA-FEIRA, 23, A PARTIR DAS 19 HORAS, NO MAJESTIC PALACE HOTEL, EM FLORIANÓPOLIS.

Fabieli é bacharel em Design de Moda e, atualmente, está no terceiro ano do curso de Engenharia Têxtil, em Blumenau. Ela criou três looks pensados para serem usados por pessoas com algum tipo de deficiência, seguindo as premissas do Desenho Universal. Aplicado ao desenvolvimento de produto, o desenho incide em artigos que possam ser utilizados por todas as pessoas, na sua máxima extensão possível - ou seja, por pessoas com ou sem deficiência.

As modelagens das peças foram desenvolvidas pensando no conceito agênero, sem gênero ou pós-gênero, sem se restringir no modelo binário de gênero: homem ou mulher. As formas das roupas também foram pensadas em auxiliar, de alguma forma, pessoas com deficiência visual. Os decotes das blusas são mais abertos e possuem a mesma altura tanto na frente, quanto nas costas. As costuras das peças possuem acabamento limpo, diminuindo o desconforto ao contato com a pele.

Foto: Divulgação / UFSC

A peça-chave é uma jaqueta com a estampa do quadro na parte frontal e nas costas. O diferencial dela é a aplicação de dispositivos eletrônicos inseridos na linha do peitoral e dentro do forro, criados para auxiliar deficientes visuais a detectarem obstáculos por meio de sensores ultrassônicos e componentes de vibrações. Os tecidos escolhidos amassam menos, permitem uma melhor transpiração e possuem um toque agradável ao vestir.

A linguagem estética da coleção foi inspirada na obra Bailarina, do artista Antônio da Silva e na tendência artsy de inverno 2018, a qual faz alusão a comunicação visual de diferentes artes visuais e diversas obras de artistas.

- As peças foram criadas para adultos com estatura mediana, mas, também, pensadas para pessoas que fazem parte da nova geração da terceira idade. Pessoas que são vaidosas e com atitude, independentemente da idade. São conectadas e com o passar do tempo suas belezas são ressaltadas - explica a professora Grazyella Cristina Oliveira de Aguiar, coordenadora do projeto de pesquisa A moda é para todos: estudo dos princípios do Desenho Universal aplicados ao vestuário, do qual Fabieli é bolsista.

Além da orientação técnica na parte de desenvolvimento de produto, Fabieli contou com o apoio e orientação técnica da parte tecnológica do professor do curso de Engenharia de Controle e Automação, Alex Sandro Roschildt Pinto, e do acadêmico Christian Mailer, que montou os dispositivos eletrônicos e fez a programação.