Ressaca nas praias de Florianópolis deve durar até dezembro; Defesa Civil faz novas ações

23/11/2017

OCEANÓGRAFO DA EPAGRI/CIRAM INFORMA QUE A RESSACA DEVE PERMANECER ATÉ O FIM DA PRIMAVERA E QUE NO VERÃO O FENÔMENO É MAIS RARO EM FUNÇÃO DO VENTO E DAS ONDULAÇÕES AMENAS 

O empilhamento de água na costa provocado pelo forte vento sul aliado à maré astronômica é o principal motivo para a ressaca no litoral catarinense, segundo o oceanógrafo Carlos Eduardo Salles de Araújo, da Epagri/Ciram. Na Ilha de Santa Catarina, as praias do Norte e do Sul voltaram a ser atingidas pelo fenômeno que começou em maio e deve continuar até dezembro. Uma ação em conjunto da Defesa Civil de Florianópolis e da Floram (Fundação Meio Ambiente) está recuando a área de imóveis sobre a faixa de areia. A ressaca continua nesta quinta-feira (23).

Na praia de Canasvieiras o mar voltou a provocar a erosão no terreno de um condomínio que fica sobre a faixa da areia durante a madrugada de quarta-feira (22). O mesmo aconteceu em um beach club em Jurerê Internacional na semana passada. A comerciante Eliane Ferreira Menezes, 47, perdeu a batalha com a natureza.

Há 17 anos na orla de Canasvieiras, ela conta que perdeu nove metros de comprimento do seu restaurante. "Já cansei de refazer o deque porque o mar subiu e não está com cara de que vai voltar. Com a promessa de que todos vão recuar, não vejo problema em colaborar também. Aliás, precisamos de faixa de areia para manter o banhista aqui", observou.O chefe da divisão técnica da Defesa Civil, Marcos Roberto Leal, informou que medidas sustentáveis estão sendo adotadas para harmonizar o espaço público. Assim, todos os proprietários de imóveis terão os mesmos direitos. O chefe do departamento de licenciamento ambiental da Floram, Francisco Antônio da Silva Filho, lembrou que os imóveis da região sofrem uma ação de desocupação das dunas pelo MPF (Ministério Público Federal).

"Os imóveis que foram atingidos não poderão reconstruir nesses espaços, mas poderão fazer uma proteção com paliçadas (cerca de estacas) onde estamos determinando e, assim, teremos uma uniformidade na praia. A solução para ter faixa de areia é o recuo dessas construções. Quem não foi afetado deve permanecer", explicou Leal.

Sem faixa de areia, visitantes aproveitam para caminhar

A ressaca que atinge a Ilha de Santa Catarina desde maio já deixou um rastro de destruição nas praias de Canasvieiras, Ingleses, Jurerê Internacional, Brava, Mole, Matadeiro e Caldeirão. O casal de Maringá (PR) Fernando Filho e Dhara Spengler, escolheu Canasvieiras pelas fotos na internet, mas ficou decepcionado com a realidade. A prefeitura trabalha na recuperação das praias com sete máquinas e 11 caminhões até o dia 15 de dezembro.

Três máquinas trabalhavam na recuperação da orla e de um posto salva-vidas. "Está difícil aproveitar a praia desta maneira, porque só conseguimos caminhar até agora e, mesmo assim, desviando dos entulhos", lamentou a estudante.

Em Jurerê Internacional, a situação não é diferente. O casal Michelle Silva, 36, e Javier Torres, 41, que mora em São Paulo (SP), notou muita diferença em relação à visita de janeiro. "Chegamos cedo à praia e precisamos sair em seguida porque a maré começou a subir. Algo precisa ser feito urgentemente", cobrou a esteticista.

Moradores reclamam da ocupação da faixa de areia

O procurador aposentado José Márcio Resende, 75, e a professora aposentada Iara Pereira, 67, não se conhecem, mas ambos têm a mesma reclamação na praia de Canasvieiras. Eles querem fiscalização sobre a ocupação da faixa de areia.

Moradora da Rua Antônio Prudente de Moraes há cinco anos, a professora aposentada não aguenta mais a ocupação da faixa de areia pelas cadeiras e mesas dos bares. "Não temos espaço nem para esticar uma toalha. Na terça-feira coloquei a minha cadeira e, sem perceber, estava ilhada entre as cadeiras e mesas de plástico. Será que ninguém fiscaliza", questiona.

José Márcio também está indignado com as pedras espalhadas na orla. "Cadê o MPF para fiscalizar essas ocupações irregulares, porque as pedras não caminharam até a areia. Nesta semana tive uma queda quando estava passando por um trecho com pedras que ficaram espalhadas pelos invasores", reclamou o morador de Canasvieiras há 40 anos.

"Estamos passando por um ano atípico"

O oceanógrafo Carlos Eduardo Salles de Araújo informou que a ressaca deve permanecer até o fim da primavera, que termina no dia 20 de dezembro. Ele informou que no verão o fenômeno é mais raro em função dos ventos e das ondulações mais amenas. Para Carlos Eduardo, o problema é a combinação de fatores como o vento sul forte e a maré astronômica.

"Estamos passando por um ano atípico, em função da mudança de padrão da circulação atmosférica. A natureza tem esses ciclos, mas a ocupação irregular das dunas e da faixa de areia prejudica a recuperação das praias. Algumas praias devem levar um ou mais anos para se recuperar a faixa de areia", comentou Carlos Eduardo.